quarta-feira, 6 de março de 2013


Ah! Como é bom ver crianças cantando assim. Ultimamente, com o interesse das escolas em terem suas crianças cantando (se apresentando), têm surgido, salvo algumas exceções, vários coros de crianças com uma qualidade, no mínimo, duvidosa. Na maioria do caso, sempre é possível afirmar que o problema está quase sempre na pecinha; na pecinha que fica à frente do coro.

Perdoem-me a ironia, mas tendo uma formação de menino cantor, sempre entendi que das coisas mais difíceis que existem é o trabalho com vozes infantis. Com certeza, é muito mais complexo do o que o trabalho com vozes adultas, e muitos dos que se arriscam a trabalhar com crianças não têm a devida formação para tal.

O que tenho percebido, ultimamente, aqui na nossa terra: tons errados; naipes mal classificados; repertórios inadequados; desconhecimento das melhores regiões vocais infantis; maior preocupação com o teatro do que a música; pouca disposição em educar musicalmente as crianças. Enfim, crianças cantoras podem fazer qualquer coisa quando bem educadas vocal e musicalmente. Além disso, se bons cantores são formados na infância, melhores os cantores que uma cidade, região ou país terão. Isto não quer dizer que os meninos têm que cantar notas agudas ou graves, mas cantar da maneira correta.

Uma pena! Muito a falar, mas pouco espaço, mas fica um recado: atentem-se todos com as formações que podem prejudicar as vozes infantis, pois disto dependem o coros adultos do futuro.



terça-feira, 5 de março de 2013

Westminster Chorus

Nós, no Brasil, não temos o hábito de trabalharmos coros de vozes iguais (apenas mulheres ou apenas homens). Isto acontece muito nos países onde existe a tradição de meninos cantores ou de internatos para meninas e meninos, o que é o caso de Westminster, tão conhecida pela riqueza dos coros, sobretudo do “Westminster Abbey Choir”, coro de meninos.

A riqueza de timbres e efeitos possíveis nestas formações é enorme, mas sempre há a necessidade de um maior número de integrantes para que se possa dividir em mais de dois naipes. Observem a beleza da integração, afinação e técnica deste coro, Coro do Mundo em 2009.



segunda-feira, 4 de março de 2013

sexta-feira, 1 de março de 2013

Hostílio Soares


Estamos nos preparando para o próximo concerto do Madrigale, o qual acontecerá no dia 26 de março no Conservatório da UFMG. Neste concerto, apresentaremos peças de Hostílio Soares, com destaque para as 7 Palavras, obra que acompanha o Madrigale há anos. Sendo um compositor importantíssimo na história do Madrigale, não deve ser jamais esquecido por nenhum de nós, do coro, e se estivesse vivo, Hostílio completaria 105 anos neste ano.

A história de envolvimento com ele começou em 1995, quando eu tive o contato com as 7 Palavras, escritas por ele em 1945 (primeira versão) e 1970 (segunda versão. Por ter chegado atrasado em um aula de orquestração, meu professor Oiliam Lanna resolveu me dar o “castigo” de orquestrar um peça que deveria ser cantada pelo coro estável da Escola de Música da UFMG no mês seguinte. Já que se tratava de um compositor brasileiro, mineiro e desconhecido, ninguém queria topar a parada. Como meu anjo de guarda é bom, me fez atrasar naquele dia para que eu tirasse a sorte grande. Dali começou uma história de cumplicidade que gerou o resgate das 7 palavras, da Missa São João Batista, da Missa Sábado Santo, da Sinfonia em Sol Maior (Krishnamurti), de várias canções, da ópera A Vida (em andamento), e, de quebra, ele foi o objeto da minha dissertação de mestrado.

Deste contato também resultou a grande amizade com a família do compositor, sobretudo da confiança depositada em mim pela sua irmã, d. Eunice Soares, a qual confiou o acervo de partituras de Hostílio à Escola de Música da UEMG, sob a minha responsabilidade. Ela, infelizmente, também já se foi. Continuamos o trabalho, que ainda deve se estender por anos, mas a grande felicidade atual é que Hostílio Soares não é mais um nome esquecido no tempo. 

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

O Miserere pelo qual Mozart foi quase excomungado


É sabido, no meio musical, que Mozart tinha uma memória prodigiosa. Conseguia se lembrar de trechos musicais inteiros tendo ouvido apenas uma vez. Também é conhecida a história de que ele teria copiado uma música que era executada apenas no Vaticano, e que era proibida a sua cópia, sob pena de excomunhão. Wolfgang, aos 14 anos, ouviu esta peça e chegando em casa copiou-a de memória. Este é um fato verídico, confirmado por duas cartas, uma de seu pai, Leopold, e outra de sua irmã, Nannerl. A irmã, inclusive, conta o detalhe de o menino Mozart ter ficado aborrecido quando retornou dois dias depois à Capela Sistina, quando a peça foi novamente executada, e constatou que havia cometido alguns erros.

Bem, esta peça é o belo Miserere de Gregorio ALLEGRI, compositor e padre italiano (1582-1652) que, apesar de ter composto e publicado uma profusão de obras sacras, é lembrado, sobretudo por esta peça, um elaborado moteto sacro cantado até 1870 pelo coro papal na Semana Santa. O Miserere mei, Deus (Tende misericórdia de mim, ó Deus) é uma versão musicada do Salmo 51, escrita durante o papado de Urbano VIII, provavelmente durante a década de 1630. Aqui uma bela execução pelo King's College Cambridge que vale a pena assistir:



Em tempo: Mozart não foi excomungado, é claro, mas teve que tocar a peça em um concerto de cravo para o Papa.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Um solo Rossiniano nas Matinas


Aproveitando o post de ontem, chamo a atenção para um solo belíssimo desta mesma Matinas de Natal, do Pe. João de Deus. Trata-se do Hodie Nobis, extraído do segundo responsório da peça.

Aqui é possível observar as influências operísticas, sobretudo de Rossini, nos compositores da virada do século em Minas Gerais. Não eram usual solos com a dificuldade técnica desta peça, mas acontece uma modificação nos padrões de escrita a partir de Castro Lobo, pois os solos são constantes, não só nas vozes, mas também nas partes instrumentais. Ao longo do século XIX, isto será uma praxe.

Neste concerto, a solista é Doriana Mendes, excelente cantora carioca, solista do Coro Calíope e do Quarteto Colonial.



terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Um solo de flauta


São vários os vídeos do Madrigale no youtube. Na exploração de alguns deles, os quais estão contidos em páginas outras que não a do próprio coro, me lembrei desta bela peça que é o  “Dies Sanctificatus”, escrito por João de Deus de Castro Lobo e que executamos em 2007.

A peça faz parte das Matinas de Natal, deste compositor, obra esta da qual eu e o musicólogo Rodrigo Toffolo fizemos uma edição crítica em 2003. De extrema beleza, tem sido executada desde então, quase sempre pela Orquestra de Ouro Preto, talvez a única que se preocupa com a execução regular de obras mineiras do período colonial.

Nesta gravação, que tem a regência de Toffolo, o Coro Madrigale e a Orquestra de Ouro Preto  acompanham o belo solo de um dos melhores flautistas do nosso estado: Alexandre Braga. Este concerto foi realizado na Igreja Nossa Senhora da Conceição, a qual, na minha opinião, possui a melhor acústica dentre as igrejas de Ouro Preto, além de ser de uma beleza indescritível.