O Sermão das Sete Palavras, ou,
melhor dizendo, os Sermões sobre as Sete Palavras de Cristo na cruz, fazem
parte dos rituais da Igreja Católica de celebrações da Sexta-feira Santa,
ocorrendo antes da cerimônia litúrgica desse dia, a qual é celebrada normalmente
às 15 horas, horário tido como aquele em que Jesus teria falecido. Durante
determinado tempo, o celebrante faz um sermão sobre cada uma das frases,
chamadas palavras, ditas pelo Cristo no
seu martírio na cruz. A celebração normalmente ocorre das 12 às 15 horas.
Quando há a participação de um coro, o mesmo entoa o canto logo após a
apresentação, por um orador, de cada uma das “palavras”. As Sete Palavras de Christus Cruxificatum é a peça mais
significativa para coro de Hostílio Soares, ou pelo menos foi aquela que
mereceu sua maior atenção. É dividida em sete partes independentes, tendo sido
pensada para apresentação funcional, ou seja, para ser cantada na cerimônia do
sermão das Sete Palavras, o qual antecede a cerimônia religiosa da Sexta-feira
Santa.
Poucos compositores escreveram peças
voltadas para este momento específico da Sexta-feira da Paixão. Desses, podemos
citar as Sete Palavras de Heinrich Schütz e as de Joseph Haydn. A explicação
para isso é que o Sermão das Sete Palavras não faz parte das cerimônias
litúrgicas da Igreja Católica Romana,
mas sim, das cerimônias para-litúrgicas, ou seja, cerimônias que existem em
determinadas regiões, ou até mesmo cidades, mas que não gozam da oficialização
universal de Roma. Em alguns lugares, ele é parte integrante de uma tradição
que se transmite por influências regionais, tendo se mantido principalmente nos
países ibéricos e, no passado, em suas colônias, o que é o caso de sua
existência em Minas Gerais ,
sendo ainda hoje mantido em cerimônias no interior do estado.
A peça de Hostílio Soares foi
dedicada aos 75 anos da sua mãe e
escrita, originalmente, para três vozes (soprano, contralto e baixo) e
harmônio, sendo executada, pela primeira vez nas celebrações de Semana Santa de
1945, em
Visconde do Rio Branco.
Quando da composição desta peça,
Hostílio Soares pensou a estrutura vocal
da obra para o Coro
Santa Cecília de Rio Branco, o qual se manteve após a partida
do compositor para Belo Horizonte, o que pode ser afirmado quando observamos,
além das Sete Palavras, outras partituras do período em que Hostílio esteve à
frente deste coro, as quais são estabelecidas para a mesma formação, três
vozes, sendo duas femininas e uma masculina (soprano, contralto e baixo). Até o
final de sua vida
esta partitura foi alterada, sendo a primeira versão extremamente simples,
principalmente sob o ponto de vista harmônico, quando comparada à última.
Desde a década de 40, Hostílio
manteve o hábito de organizar e conduzir musicalmente o cerimonial religioso em
sua cidade natal no período das festividades da Semana Santa. Para isso, além
de contar com vários cantores e músicos de Visconde do Rio Branco, também
levava colegas músicos de Belo Horizonte. Em todos os anos as Sete Palavras
eram entoadas, tornando-se uma peça tradicional e significativa para os
conterrâneos contemporâneos do compositor. Já a versão moderna, foi poucas
vezes executada durante a vida de Hostílio.
Querem ouvir trechos, acessem:
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