A meio caminho entre a devoção
católica e a luterana, a obra vai além da utilidade puramente litúrgica:
constitui-se em um grandioso epitáfio e em uma mensagem musical lançada ao
futuro, no modo em que Bach considerou mais universal, atemporal e duradouro.
Estrutura-se em quatro grandes seções, compostas em três períodos criativos diferentes:
a primeira seção compreende o Kyrie e o
Gloria (1733); a segunda, o Credo (1747-1749); a terceira, o Sanctus (1724); a quarta, o Osanna, o Benedictus, o Agnus Dei e o Dona
nobis pacem (1747-1749). As quatro seções contêm 24 números diferentes que,
devido às suas diversas origens, empregam diferentes solistas, coros e grupos
instrumentais.
O Gloria (Gloria a Deus nas alturas)
e o Et in terra (e paz na terra aos homens de boa vontade constituem uma única
peça. Diferentes em caráter, são independentes enquanto processo de composição,
temática e andamento, porém isto é comum na composição de missas, ou seja,
muda-se constantemente o caráter da parte musical em função da mudança de
temperamento proposto pelo texto. Daí a grande quantidade de missas escritas em
vários momentos da história da música, sempre variando segundo o estilo, o que
propicia, inclusive, a abordagem do gênero por compositores que não tinham
qualquer relação com a religião católica, mãe do texto em questão (conforme é o
caso de Bach, bem como o de Beethoven, para dar apenas dois exemplos). O
elemento integrador destas duas partes, sem dúvida, é a manutenção da formação
orquestral: flautas, oboés, fagotes, trompetes, tímpanos, cordas e coro a 5
vozes.
4. Gloria / Et in terra pax
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